EFEITO DO pH SOBRE A ATIVIDADE ANTIBACTERIANA E ANTIFÚNGICA DO EXTRATO PIROLENHOSO DE EUCALIPTO

Conteúdo do artigo principal

Gil Sander Próspero Gama
Alexandre Santos Pimenta
Francisco Marlon Carneiro Feijó
Caio Sérgio dos Santos
Renato Vinicius de Oliveira Castro
Tatiane Kelly Barbosa de Azevedo
Lúcio César Dantas de Medeiros

Resumo

O presente trabalho teve como objetivo avaliar o efeito da neutralização progressiva na atividade antimicrobiana do extrato pirolenhoso (EP) da madeira do híbrido Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis (clone I144). Amostras de madeira foram carbonizadas a uma taxa de aquecimento de 0.9 °C min-1 até a temperatura final de 450 °C, perfazendo 8 horas de carbonização. Os líquidos brutos da carbonização foram deixados em repouso e a fração aquosa foi separada. A fração aquosa correspondente ao EP bruto foi destilada obtendo o EP purificado. Alíquotas de EP purificado foram progressivamente neutralizadas do pH 2.5 até 7.5, respectivamente, 2,5, 3,0, 3,5, 4,0, 4,5, 5,0, 5,5, 6,0, 6,5, 7,0, e 7,5, por meio da adição de NaOH. Com o método da micro-diluição em caldo, o efeito antimicrobiano das amostras neutralizadas em cada pH foi avaliado contra Pseudomonas aeruginosa (ATCC 27853), Salmonella enteritidis (ATCC 13076), Staphylococcus aureus (ATCC 25923), Streptococcus agalactiae (CEPA CLINICA) e Candida albicans (ATCC 10231). As concentrações inibitórias mínimas e as concentrações bactericida e fungicida mínimas foram determinadas por técnicas in vitro. Os resultados foram analisados por regressão logarítmica e modelos estatísticos foram ajustados para cada microrganismo em cada pH. Na determinação da CIM, foi detectada uma perda progressiva da atividade antimicrobiana do EP com a neutralização, exigindo, conforme o pH caminhava para 7.0, concentrações mais elevadas de EP para resultar em inibição. As cepas que demonstraram maior resistência foram S. aureus e S. agalactiae. Esses microrganismos partiram da exigência de concentrações de 6.25% de EP, em pH inicial (2.5), e chegaram a requerer 50% em pH 6.0. Quando em pH 7.0, ambas as cepas não foram inibidas nem a 50% (maior concentração avaliada no estudo). Em contrapartida, C. albicans se mostrou a cepa mais sensível, partindo de 3.12% de EP, em pH de 2.5, e exigindo apenas 25% para inibição em pH 7.0. O comportamento de P. aeruginosa e S. enteritidis acompanhou o padrão da C. albicans, diferenciando-se apenas em pH 7.0, onde exigiram 50% de EP. Como observado, mesmo em pH neutro e ligeiramente alcalino, a atividade inibitória do EP ao crescimento microbiano se manteve em certa extensão.


Palavras-Chave: Carbonização de madeira de eucalipto; Extrato pirolenhoso de eucalipto; Bactericida e fungicida natural

Detalhes do artigo

Como Citar
Gama, G. S. P., Pimenta, A. S., Feijó, F. M. C., dos Santos, C. S., Castro, R. V. de O., de Azevedo, T. K. B., & de Medeiros, L. C. D. (2023). EFEITO DO pH SOBRE A ATIVIDADE ANTIBACTERIANA E ANTIFÚNGICA DO EXTRATO PIROLENHOSO DE EUCALIPTO. Revista Árvore, 47, https://doi.org/10.1590/1806–908820230000011. Recuperado de https://revistaarvore.ufv.br/rarv/article/view/263451
Seção
Artigos Cientificos - Tecnologia da Madeira

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)